Sobre partidas e malas

Quando decidi que ia em busca de meu sonho, muita coisa rolou na minha cabeça e posteriormente, no meu coração. Não é uma decisão simples resolver que você vai sair da sua zona de conforto, que você vai morar bem longe, que você vai ver pouco as pessoas que você ama, que, caso você consiga, você vai pedir as contas do emprego que você ama e sair do apartamento que você transformou quase num santuário.

Só que eu sou assim (alguns diriam impulsiva, eu digo... intensa? Talvez.), quando decido o que quero, acontece toda uma revolução no meu mundo.

Conforme o dia do meu embarque vem chegando, eu tenho experimentado diversos sentimentos. Resolvi que vou abraça-los todos. Meus medos e aflições, a solidão que as vezes sinto antecipada, a felicidade por estar onde estou, tal qual o orgulho.

Tenho me sentido uma pessoa muito pequena prestes a fazer algo grandioso. Quando era criança e ouvia que alguém tinha saído do Brasil, imaginava essa pessoa passando por uma porta bem grande e se jogando no mundo, sem paraquedas, sem mãos para segurar e ainda assim, tendo a melhor experiência de sua vida.

A Emirates é a minha porta. Tão grande, assustadora, mas daquelas que não podemos deixar de abrir. Li em algum lugar que tudo tem um limite que devemos atravessar e que, depois de atravessado, não tem mais volta. Eu atravessei esse limite e me sinto em queda livre - mas não da maneira ruim... da maneira que parece que estou voando. É a melhor sensação do mundo!

Socorro, mãe!

Assim sendo, ontem resolvi fazer minhas malas. É difícil quando você descobre que para começar um novo ciclo, muito de você tem que ficar para trás.


Isso não é nem um décimo de tudo que eu tive que arrumar. Por enquanto estou com três sacolas de roupas e três de sapato que eu vou deixar para trás. E ainda tem um pedaço de armário. Mas não estou triste - pelo contrário, estou sendo bem sincera comigo mesma do que eu quero que vá comigo e do que eu quero deixar para trás.

Deixei muita roupa que me traz boas memórias, porque resolvi guardar as memórias dentro de mim. E fiquei pensando que, todos nós deveríamos conseguir colocar nossa vida dentro de uma mala, porque desse jeito a gente carrega sempre o que é importante.

Me assustei porque sendo tripulante há dois anos, nunca tinha pensado isso. E é tão óbvio. A maioria das pessoas tem sentimentos e coisas demais e elas simplesmente não conseguem carregar. Não quero ser assim.

Quero então que a minha nova fase seja intensa, mas com boas memórias, leves de carregar. Que a vida continue me tratando com carinho e que as decepções não me afundem... que elas me façam crescer.

16 dias. Muita coisa para viver.



Para quem quer seguir outros blogs de pessoas que vão para Emirates, segue o link de um blog de uma amiga que eu fico muito feliz em saber que vai me acompanhar nessa empreitada. É o Blog da Bu, e a história dela é sensacional! Recomendadíssimo.

Fiquem bem e continuem acompanhando! Vocês me fazem seguir, sempre.

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