O começo

Are you ready to be part of your wildest dreams? Get up, get on board, get closer, get higher. After all, luck only smiles for the strongest ones.


Não escolhi a aviação, fui escolhida. Eu era atriz, era bailarina, era escritora, eu era qualquer coisa que eu quisesse, menos comissária de bordo.


Eu não sonhava em voar. Eu nem sabia o que era e como era voar. Eu nem sabia que dava para se tornar comissária - na minha cabeça de girico, elas já nasciam prontas ou pré-destinadas.


Eu era livreira. Odiava vender, mas amava a forma como eu podia interagir com as pessoas por esse motivo. Gostava de ser útil, de encantar, de saber o que fazer na hora que era preciso.


Eu tinha um cliente fascinado por aviões. Comprava e encomendava de todos os tipos e tamanhos livros sobre aviões. Ele gostaria de ter nascido um avião, achava eu, apesar de que ele gostava muito de ser gente. Virou um dia e disse:

- Já pensou em ser comissária de bordo?

Eu ri. Daquele jeito simpático que a gente ri quando alguém fala um absurdo, mas a gente não pode discordar.

- Não estou brincando.

Meu riso foi insistente. Meio paranóico até, se você parar para pensar. Mas ele foi ainda mais incisivo:

- Você é nova, é bonita, tem postura, gosta de atender clientes, fala inglês... eu, sinceramente não entendo porque você trabalha em shopping.

Algumas pessoas tem contas a pagar.

- Sou comandante e posso dizer que você, mesmo sem saber, já é uma comissária melhor do que muita menina que voa há anos.

Aquilo ficou comigo. Me martelou por dentro. Me trucidou - eu não tinha nada melhor para fazer mesmo! Então fiz o que sempre faço: liguei para o meu pai e disse:

- Vou ser comissária de bordo.

- Aeromoça?

- Tanto faz.


Assim, como quem decide que cor de blusa usar, escolhi a profissão que mudaria minha vida, e me mudaria, para sempre.

Três dias depois, lá estava eu, no curso de comissária, toda trabalhada na etiqueta e na finesse (que eu não tinha) e pronta para ser surpreendida por mais um dos grandes desafios que eu fiz para mim mesma. E descobri que existe algo mágico em fazer algo que você ama e te faz feliz, mesmo nos dias muito ruins. Ser acolhida pela aviação foi como nascer de novo, aprender a andar e falar, formar opiniões e finalmente, me encontrar.


O que aconteceu depois? Isso é outra história.



Ps. o post ficou bem clichêzinho, mas foi assim que minha história começou. Quero contar tudo - meu curso, minha sobrevivência, meu processo seletivo, minha contratação e treinamento, etc.. para as pessoas entenderem que meus dias de glória são frutos de dias de muita fé, força e coragem. Por hora, fiquem com o começo - as vezes, a gente só tem que abrir as asas e deixar o vento nos levar.

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